quarta-feira, julho 20, 2011

StockGuitar:Uma das Histórias de Eddie Van Halen

Maio de 1991, Eddie Van Halen dá uma entrevista à Guitar Player apresentando sua nova guitarra. Poderia ser mais um acontecimento banal no mundo da guitarra, porém nada que venha deste indivíduo é considerado banal, por nós guitarristas roqueiros.
Eddie já havia revolucionado não só o mundo dos guitarristas, como também toda a indústria especializada. Com uma guitarra Frankenstein feita (por ele mesmo)a partir de Stratos e Gibsons e seus conceitos sobre madeiras, escalas, alavancas, etc, Eddie abriu um novo caminho no nosso universo.

Qual fabricante não queria ser parceiro desse cara? Eddie já vinha trabalhando com a Ernie Ball há seis anos, no segmento de encordoamentos, quando seu Vice Presidente Sterling Ball fez a proposta. Segundo ele, várias companhias na época queriam o Eddie, e a Ernie Ball/Music Man chegou com um protótipo baseado no modelo Silhouette, porém nos moldes das guitarras dele, com apenas um Humbucker , uma ponte Floyd Rose e toda listrada, achando que estavam abafando! Adivinhem. Eddie disse: ¨Não é isso que eu quero.¨ Então Sterling disse a Eddie que não desistiria enquanto não conseguisse.
Eddie não queria pôr seu nome numa guitarra qualquer por um monte de dinheiro, ele queria uma guitarra que realmente atendesse suas expectativas e que ele pudesse tocar em seus shows e gravações. Para isso foram preciso 21 protótipos.
Então vamos ao que interessa: o que Eddie pensava ao desenvolver uma nova guitarra?
Madeira: "Minha teoria sempre foi: quanto mais leve, melhor. Muitos caras diziam: olha como esta madeira é pesada, deve ter um puta som! Pra mim, é totalmente o contrário."
Eddie escolheu Basswood para o corpo, uma madeira porosa, leve e com ótimo timbre. Uma lâmina de Maple (maple top) foi colocada para adicionar um pouco mais de brilho e definição.
Captadores: "Nunca consegui fazer dois captadores soarem bem. Você regula o ampli pra tirar um ótimo som com o captador da frente e o de trás fica uma bosta e vice versa. Então trabalhamos dois meses com Steve Blucher da DiMarzio e desenvolvemos 2 captadores exatamente do jeito que eu queria"
Eddie diz que basicamente copiou um captador quebrado para desenvolver o novo modelo. "Todo mundo diz que ele não está funcionando direito, mas eu digo, ouçam, é esse som que eu gosto!"
Braço: Foi desenvolvido a partir de um braço gasto. "Você tem que pegar a guitarra e sentir que ela ja foi bem tocada".
"Odeio trastes Jumbo e também odeio finos demais. Gosto de sentir a madeira abaixo dos dedos mas ao mesmo tempo não gosto de não sentir os trastes."
Bem, para concluir vou dar o meu parecer: numa época em que as indústrias que pegaram carona nos ensinamentos de Eddie (Charvel/Jackson, Ibanez, etc) estavam fazendo braços finos com trastes Jumbo em guitarras com 1 Humbucking e ponte flutuante, o cara aparece com uma guitarra totalmente diferente do que se esperava, porém incrivelmente boa e confortável.
Tive oportunidade de tocar essa guitarra e digo que foi uma experiência fantástica. O melhor e mais confortável braço que eu já vi e um timbre que não imita Fender nem Gibson, porém tem muita personalidade, diferente das Ibanez Jem ou Jackson Soloist por exemplo.
Mas o que interessa não é a guitarra em si, mas a genialidade e a propriedade que esse cara tem pra falar de instrumentos e timbres. Long Live EVH!
por:Fares Jr.

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