segunda-feira, fevereiro 21, 2011

ÁLBUM : THE DOORS


The Doors é o álbum de estréia da banda The Doors de Los Angeles, Califórnia (EUA). O álbum foi gravado em Agosto de 1966 e lançado em Janeiro de 1967. Vamos voltar um pouco no tempo, para visualizarmos o cenário em que o disco foi concebido, e também compreendermos as características e influências dessa fascinante e carismática banda. No verão de 1965, a praia de Venice era o cenário ideal, com belas garotas circulando, gente bonita, sol, praia, mar, muita agito acontecendo, guitarras distorcidas acompanhadas pelo ritmo dos tambores, ácido puríssimo rolando aos montes nas areias e arredores da praia. O carismático e emblemático Jim Morrison era um dos malucos de plantão que freqüentavam a praia de Venice. Ele morava num armazém abandonado, cheio de clarabóias (janelas envidraçadas feitas no teto, para entrar claridade). Nessa época Jim já escrevia muitas poesias, uma vez que tinha forte ligação com as artes, e estudava cinema na UCLA (Universidade da Califórnia). Jim encontra-se casualmente com o amigo estudante de cinema (UCLA) Ray Manzarek na praia e começam a falar sobre música. Jim então mostra um de seus poemas (“Moonlight Drive”) à Manzarek. O poema diz assim: “Vamos nadar até a lua/Vamos escalar a maré/Penetremos a noite/Onde a cidade dorme/ a velar-se...” Ao ouvir os versos de Jim, Ray Manzarek teve um estalo, ficou tão entusiasmado, e diz: “Nunca ouvi palavras como essa num rock!” E foi assim trocando idéias, resolvem fundar uma banda de rock. Juntaram-se a eles John Densmore baterista que tinha muitas influências do jazz e Robbie Krieger guitarrista com formação clássica e influências da música flamenca. O nome da banda foi inspirado pelo livro "The Doors of Perception" (As portas da percepção) de William Blake e Aldous Huxley. Com a formação estabelecida, os Doors começam os ensaios.
Durante o período de 66/67 o LSD era ingerido pelos membros da banda nos ensaios, e funcionava como uma espécie de “catalisador”, fazendo com que se soltassem ao máximo nas improvisações e deixando a música fluir livremente. No ano de 66 a banda se apresentava no Whiskey a Go Go (uma lendária e famosa casa de shows), onde os Doors conseguiram o primeiro contrato de gravação com a gravadora Elektra, através de Jac Holzman que viu suas apresentações e ficou entusiasmado com o grande potencial deles. A banda gravou o disco em poucos dias no estúdio Sunset Sound (o local era pequeno e com recursos limitados), entre o final de agosto e inicio de setembro de 1966, com várias músicas gravadas num take só. Um fato interessante, em janeiro de 1967, sai o álbum com um compacto tirado deste disco, Break On Through, acompanhado de um filme promocional (uma espécie de vídeo clip). A estratégia de usar o filme na divulgação do álbum era incomum nessa época.
“Break On Through” foi à canção escolhida para ser o nosso primeiro compacto. Fiquei preocupado, pois seu ritmo era muito excêntrico, uma “bossa nova speed”. Este ritmo, tipicamente brasileiro, é bem visível na pulsação da minha bateria. Os músicos brasileiros influenciaram decisivamente todos os tipos de música com aquela bossa nova que “falava o idioma do jazz”. Um bom exemplo disso é “Garota de Ipanema” de Antonio Carlos Jobim. (por John Densmore – baterista The Doors, no livro Riders on the Storm)
“Light My Fire” foi a música mais tocada nas rádios, e transformada em single. O sucesso da música foi tão rápido e estrondoso que o Doors foi convidado para se apresentar no Ed Sullivan Show, um programa de grande audiência e muito famoso nos anos 60 da TV americana. Nessa faixa encontramos o teclado hipnótico/lisérgico de Manzarek dando as cartas para longas passagens instrumentais, sem contar o sublime solo de guitarra de Robbie Krieger e a eclética mistura de rock, ritmos latinos e bossa.
A épica, psicodélica e excepcional “The End” é uma música muito representativa da sonoridade dos Doors. Jim recitando sua poesia enquanto a banda faz a trilha sonora para sua performance visceral, xamanística. Nessa faixa é nítida a influência do guitarrista Robbie Krieger (foi um dos primeiros guitarristas a utilizar a estrutura da música clássica indiana no rock). O famoso diretor Francis Ford Coppola utilizou “The End” na trilha sonora do premiado filme “Apocalipse Now” que mostra os horrores da guerra do Vietnã.
O álbum registra e captura a essência dos Doors. Uma banda com músicos de formação erudita, e um grande poeta/artista nos vocais. Com uma formação diferenciada para a época, pois não tinha baixista. O tecladista Ray Manzarek fazia o baixo no próprio teclado. Completando o grupo: Jim Morrison vocalista, o guitarrista Robbie Krieger e John Densmore baterista. Suas apresentações ao vivo eram incendiárias, performáticas e muito intensas. Esse tipo de apresentação se deve em grande parte a Jim Morrison que tinha a capacidade única de interagir com o público presente, e despertar um êxtase coletivo, um frisson generalizado. Jim criava um elo mágico, uma espécie de comunhão com a platéia. Algumas apresentações da banda terminavam em tumulto e muita confusão. Isso se reflete no álbum. O disco de estréia conta com composições próprias, exceto “Back Door Man” de Willie Dixon e “Alabama Song”, demonstra um Doors muito quente, intenso e profundo, cheio de sensualidade, cheio de ritmos efervescentes, com muita ginga. Vale lembrar que os Doors influenciaram várias gerações de roqueiros, e até os dias de hoje é muito cultuado, não somente pela sua música, mas também pelos ideais de liberdade, comportamento e estilo de vida. Disco indispensável em sua coleção! E com vocês Senhores e Senhoras do Stock Rock, The Doors!!!


Track Listing:
1) Break On Through (To The Other Side) 2:25
2) Soul Kitchen 3:30
3) The Crystal Ship 2:30
4) Twentieth Century Fox 2:30
5) Alabama Song (Whisky Bar) 3:15
6) Light My Fire 6:50
7) Back Door Man 3:30
8) I Looked At You 2:18
9) End Of The Night 2:49
10) Take It As It Comes 2:13
11) The End 11:35

Fontes de Pesquisa:
Livro: ”Jim Morrison por ele mesmo”, Alberto Marsicano, Editora: Martin Claret, 1991;
“Riders on the Storm”, John Densmore

Por Juniorock

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