segunda-feira, fevereiro 20, 2012

THIN LIZZY – FIGHTING (1975)

Neste carnaval para não ficarmos contaminados pelos trecos que tocam em tudo que é esquina,vamos postar alguns álbuns que marcaram a programação do StockRock.Hoje esta ótima matéria de nosso brother Daniel Trinconi vulgus "Alemão". BOM CARNAVAL COM MUITO ROCK!!


Caros amigos e irmãos dessa grande nação chamada Rock’n’Roll,
É com um imenso prazer e honra que escrevo para este Stock Rock Álbuns.
Os ilustres idealizadores desse site, Vermelho e Arnaldo, fizeram grande parte das ondas sonoras de muitos amantes do rock da parte leste de São Paulo durante os 90’s. Numa época em que não havia internet e nem mp3, os “sources” para procurar, pesquisar e ouvir novas e velhas bandas eram extremamente limitados, principalmente para quem não tinha tempo, disposição e dinheiro para isso. Todos dependiam muito da camaradagem de amigos, empréstimo de discos, fitas e revistas (sem contar os pornôs, muitos destes até hoje não devolvidos), inúmeras idas à Galeria do Rock, no centro, à Woodstock Discos (do lendário Walcir Chalas, um dos grandes e ilustres rockers da capital paulista) entre outros poucos recursos. Pois bem, o programa Stock Rock, na saudosa e parceira Tatuapé FM (no clássico 89,5FM do dial) conseguiu estampar sorriso em cara de muito marmanjo roqueiro. Foi lá que ouvi muita coisa que não conhecia, e devo parte de meu conhecimento ao Red e ao Taturana. Se procurar alguma coisa nas velhas fitas, provavelmente encontrarei lados inteiros gravados “non stop” do programa, com as velhas vinhetas “mangatripianas” e muita boa música. Obrigado por retornarem agora com nova roupagem, para novos tempos, novos ouvidos, mas o velho e bom rock’n’roll!
Falar de uma das bandas do seu coração nem sempre é tarefa fácil. Espero que curtam e ouçam este álbum com carinho, pois esse é o sentimento que sinto quando o assunto é Thin Lizzy e Phil Lynott.
O álbum Fighting (1975) é o grande primeiro momento para se ouvir Lizzy, por vários motivos. Acredito que foi nele que a banda realmente encontrou sua sonoridade definitiva, saindo da fase de transição de trio (com Eric Bell) para a “clássica” dupla Brian “Robbo” Robertson e Scott Gorham, agora mais orientados, devidamente timbrados e participativos do que em Nightlife (1974). Aqui, a banda vai literalmente para a luta, começando pela capa que curiosamente foi censurada em diversos países da Europa e nos USA (talvez pela pose de garotos maus, munidos com barras de ferro, em menção a gangues).

capa original censurada





capa alternativa (Europa,USA e outros)

Na sonoridade, a banda cresce como um todo, orientando-se para o Hard Rock, mas sem deixar de flertar com o Folk e o Rhythm &Blues. Além dos guitarristas em sintonia, usando e abusando das melodias em dobra e tendo seus bons momentos tanto no lead como nos solos, temos um Phil Lynott bem inspirado nas composições, além de Brian Downey exibindo seu enorme talento atrás do drum kit. Fighting é um prenúncio do que estaria por vir em Jailbreak (1976), o álbum com maior repercussão comercial, além do eterno hit “The Boys are Back in Town”.A faixa que abre o álbum, Rosalie, é uma releitura do clássico de Bob Seger, resultado provável da turnê conjunta bem sucedida entre o Lizzy, o artista e mais o Bachman-Turner Overdrive antes das sessões de gravação do álbum, em 1975. Com uma roupagem e riffs mais roqueiros, se tornou faixa obrigatória em quase todas as performances ao vivo da banda em torno da carreira, além de tornar “a música mais conhecida do que a própria versão de Bob”, segundo ele próprio.
For Those Who Love to Live, a segunda faixa, conta com uma introdução crescente e poderosa, com uma marcante dobra da melodia de guitarras do álbum, seguida por uma levada deliciosa e uma letra a que Phil creditou em shows como uma homenagem a George Best, o lendário jogador Irlandês, considerado por muitos o melhor de todos os tempos da Inglaterra, e do Manchester United (time de coração de Phil), e companheiro de bebedeiras nas horas vagas.

Chegamos ao que interessa. Terceira faixa: Suicide. Aqui, uma faixa clássica e um retrato do que realmente era o Lizzy naquele momento: Phil escrevendo sobre tragédias ordinárias, com retratos e personagens urbanos de uma classe social trabalhadora, um mundo particular como vários outros criados por ele. A jam que vem ao final de “Don’t it make you want to boogie?”, para mim, traz um dos (vários e) melhores momentos de duelo de guitarras do Lizzy. Já perdi as contas de quantas vezes toco no “air guitar” o primeiro solo, de Scott. Os solos de Robbo e o duelo entre eles se fez presente em muitas performances também ao vivo, como também nas outras formações da banda.
Em Wild One, uma das minhas tantas preferidas da banda, fala sobre fuga, e transborda atmosfera na interpretação de Phil, além das guitarras em dobra nas bases e no solo. 
A quinta faixa é a faixa título do álbum: Fighting my way back. Uma letra com teor de protesto e desajuste, onde os “wah wahs” se fundem ao ótimo timbre e linhas de baixo, à voz cheia de energia de Lynott, além da ótima bateria de Brian Downey. Nas próximas faixas do álbum, o que vamos é o Lizzy um pouco mais “leve”, com um flerte ao pop, mas com letras com um contexto social, como em King’s Revenge (sons “medievais” denunciam o rei oprimindo seus vassalos) e Freedom Song. Há também Spirit Slips Away (ótimo som, com atmosfera “etérea”), Silver Dollar (um boogie dançante) e um retorno ao hard, na última faixa Ballad of a Hard Man (que de balada, não tem nada, é puro rock cru e direto).

Devido a problemas com direitos autorais não pudemos adicionar as quatro últimas faixas do album em nosso playlist. Confira clicando nos vídeos a baixo.






Gostaram? Eu recomendo de olhos fechados este e outros tantos álbuns da banda, para aqueles que já são fãs ou passarão a ser. Quem quiser trocar uma idéia, saber mais sobre o trabalho do Lizzy ou mesmo requisitar algum material raro, entre em contato comigo pelo: trinconi@gmail.com
Por hora é só, amigos da Stock Rock Radio. Neste Carnaval, troque as musiquinhas de Carnaval e os Batuques da vida pela programação mais rock’n’roll da Internet.
Bom Carnaval e um grande abraço roqueiro!
Daniel Trinconi (Alemão)

4 comentários:

  1. Valeu Daniel, vc contou um pouco da historia do StockRock e escreveu com muita emoção sobre este álbum. Grande abraço amigo e colaborador.

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  2. Legal a matéria , com muito sentimento envolvido. E também legal para os mais jovens conhecerem essas pérolas.
    abraços

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  3. Valeu meus caros! Espero que este seja o primeiro de muitos! Há muitas bandas pra se falar e ouvir, e a StockRock cumpre o que sempre cumpriu: levar boa música pra quem tem bons ouvidos.

    Abraços
    Daniel Alemão

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